quinta-feira, 14 de abril de 2011

Teu corpo tem um Relógio (obs:repostagem)

“o Temporal chove a água do Tempo que não nos é, e a escorre para qualquer esgoto de Tratamento. Bebemos desta água tratada do Tempo”

-Que horas são moça?
-São 19 e 25 da Vida
-Não será esse o momento da Mudança?
-Foi a 25 Atrás-acho
-É?
Eu jovem
desta idade,
2 décadas e meia,
e sou todo rachaduras
mas me orgulho,
já sei que o Brasil foi “descoberto”
e que
a navegação hoje é InterNáutica
e que
têm Rapidez de Luz

-Que horas são moça?
-São 19 da Necessidade para-Trás
Respiro fundo,
me engulo
e saio Lúcido
de
mais
um
Dia
Espero não explodir em Outro
qualquer incontrolável
Espero aguentar oblíquo a Decadência
forte
dos
Nós

-Que Horas são Agora moça?
-Não sei mais!
Quebrou,
Parou ou é Inútil
Este tempo
E a escrita-talvez
Do querer dizer nada dizendo
Algo
Em papos e papéis

-Me dá teu telefone moça?
Ou
Vamos sair daqui desta Pressão?
De antes da queda do Temporal
Ou
Vamos nos abrigar?
Eu me abrigo em você e você em mim
Que o Temporal vai destruir
os Sonhos sem nossa cria
e Ele te dirá em Traços
tua Velhice Nova
e configurará tua falta
de Identidade
Estacionada.

-Recuso moço!
e me deixes em Paz
nesta Agoniança à meu gosto
Tenho e quero continuar a Ter
a Sede
Salarial
da Sede
e acho justo este fim de mês
na minha
Contra-Corrente.



(Cai o Temporal e há milhares de desabrigados
E soterrados pelo Solo não seguro.
E do amanhã não se sabe o que fazer)

2 comentários:

  1. Senhor Ramon, entre linhas sinto seu sentimento à cada palavra que descreve e por isso que sempre digo a eu mesma: _ Fugir creio que não seja o recomeço, mas aceitar a proposta de se viver diante destas condições, seja uma boa atitude para dar início à luta. Abrçs e fica com Deus.

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  2. Ramon, seu poema é bem contemporâneo e uma metáfora da nossa realidade.

    Gostei muito!

    Até mais!

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