sábado, 15 de janeiro de 2011

Vida!

I.

Vou morrer
De você
Assim
Sucessivamente
Mil vezes
Concretivamente
Estatizado no
Movimento involutário
Duma espiral-inspiral

Respiral para
Além da ordem
Dita silenciosamente
Aos gritos, os gemidos
de Gênese

II.

Gentes
Formam uma
Incompreensão
Ao Horizonte
Que nem se inventa
Ele vai inerte,
Inevitável
Resistindo
Ao cumprimento
Do Apocalipse

Vão superar
O esperado
Como aquilo que
Já se passava
Nos gestos,
Decisões do
Micro-mundo
Marcado por
Um neurônio

Vão confiar
Genuinamente,
Entre os
Não-adaptados,
Na ingenuidade geral
Para o Macro-Mundo
Ao Absoluto,
Ao Extremo Possuído.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Elegia de uma geladeira velha! (investigo os rastros)


    Abriram a Porta-Visão que eu tinha, e de dentro dos meus compartimentos tiraram com o poder da decisão, qualquer coisa para esgotar a fome individual. Fecharam a minha porta e de repente tudo escureceu mais uma vez. De mim para mim, digo que não vi forma definida de quem abriu ou de quem fechou. Isto de  abrirem  e se servirem dos alimentos que eu conservava sempre aconteceu sem diferenças grandiosas. Mas naquele instante específico sem especial referência, ousei questionar ou refletir a minha situação existencial.
    Pensando o ser que a muito tempo já se afastara do lugar onde eu estava, o canto qualquer de uma cozinha, começo um monólogo como se o próprio ser, sem forma aparente, estivesse em minha frente me escutando ensandecidamente falar:

-Você deve ser o segredo que sustenta as mensagens subliminares de qualquer espécie. Sempre se vai e deixa rastros que me quebram a idéia líricamente imposta de uma cabeça- refrigerador.
Eu sou esta geladeira velha estalando de 15 em 15 minutos num silêncio mortífero. Eu não percebo o silêncio quando estou a pleno vapores elétricos de gerador, mas quando, de um susto, há um estalo marcando o extremo das energias, dou de cara com o corpo fechado ao meu redor, que é a surdez fatídica do espaço. 
Não fará a mínima diferença aos outros eletrônicos que coexistem comigo a minha presença congelante, mas acho importante considerar que vez em quando abro as portas para descongelar e esvaziar meus ares. Não haverá repentina atitude de mudança por se atentar a uma geladeira velha carregada do peso assaz responsável do passadismo.
Sirvo apenas para a conserva dos alimentos, pois tudo é um ciclo de conserva. Eu também, devo estar catalogada em algum grau da conserva geral das Coisas. Mas experimente não consumi-las para ver se elas não apodrecem da mesma forma, e pior, apodrecem, existem pra si, mas pra outros têm o mesmo valor-neutro de tudo ao mesmo tempo como um desejo de conquista: nada. Enfim vou estar autorizada-possibilitada a ficar criando um gás artificial que fará completa minhas funções e minha impossibilidade de ser qualquer outra coisa que não a geladeira feliz que cogela-descongela, e protege os alimentos de um ciclo eletro-domesticado meio permeado de carne, botões, sangue, compartimentos ,nervos, ferro, água, plástico...constituição de tudo que pode ser importante para a execução e encerramento das minhas funções!

     Repentinamente me Calei e consumi sozinha meu silêncio, não queria vê-lo apodrecer. O tal estalo que se dava de 15 em 15 minutos marcou esse estado-silêncio da minha presença, mas na hora de voltar a gerar forte energia e criar certa música meio incomoda a quem ouvia, resolvi que era melhor continuar calada, e fiquei calada. Uma entidade superior que chamam técnico em eletro-dosmésticos constatou a profecia escrita no Manual Instrutivo que sempre esteve comigo: eu havia queimado por excesso de uso, e  fico feliz com este fim bem aproveitado por toda uma vida de serviços prestados. Agora estou no Ferro velho onde tudo é mais claro e compreensível, e onde sempre estou em off de refrigeração. Eis que por motivo de buscar revisão rápida de toda minha vida faço gigante esforço, e abro a fonte dos meus pensamentos mais uma vez. Gasto as reais últimas energias que me sobraram para contar essa história a vocês.
Logo...
logo acabam as reservas das baterias!
Pasmem ao saber que tenho baterias
e pasmem com meu Último modelo lançado em loja
e até mais nunca!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um coletor que busca seu sentido! e aí?


Aí eu fui mexer no lixo
Ver se encontrava lá a peça-periférico
Que me tornaria novamente um cidadão,
um Social
Que faria eu ser dessa pirâmide espacial
Achei!

E que orgulho de mim!
pois sou da Base da pirâmide
Eu sou da Base sustentável sem sustento
Sou a reação do meu cotidiano embalado
Não para mim, mas para quem o pode comprar
Eu sou,
Eu sou filho da Macabéa infrutífera
E por isso
Eu estou Finalizado a ser por aí
Sem quê-nem-por-quê!

Tomei Deus no meu café da manhã sonolento
Em pão de vento
Sobre um lamento
Puro e seco,
Concreto e solúvel,
Enfim digerível.

É dia de dia em dias na diária do meu emprego
É um punhado de centavos
por Kg de coleta.
Coleto restos de sonho
Sonho comercial que enche:
As ruas dos pés,
Dos pés dos corpos,
Dos corpos das cabeças,
Das cabeças dos sexos,
Dos sexos dos poderes,
Dos poderes da moralidade,
Das moralidades das ruas...

Ah que passos! E de uma hora a outra
Um desligamento do mundo
De olhos fechados
Um atropelamento do momento
Que quebra
Todos os ossos da segurança.

Vou voltar para casa com milhares
Na minha companhia
Vamos todos sem irmos juntos
Sentir, sentir amargamente aquela
Descida do dia:

Quem vai não é uma opção!
Todos vão!
Todos vão... vão... vão...
Dormir...
Acordar...
Perder suas peças fundamentais
Ai vão mexer no Lixo também!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Esquecimento

É uma Aurora Noturna
de Ventos Fortes
Carregando Umidade.
Fiascos de Rejeição
que nos Séculos
de cada Instante
Pairam a Gozar
do Universo.
Um Rio Frio
e Profundamente Negro
querendo te Constituir.
É o Tudo na Mente,
Produto do que eu sou
em Outros por aí
a esquecerem em Coletivos.