domingo, 11 de dezembro de 2011

Continua...

Antes que acabe a chance de dizer sobre esse dia que se fecha, Lembro:
O seu cheiro, os detalhes,
As intromissões, debates, bates-bocas
Exageros culinários, vontades de embriagues,
reconsiderações, monólogos
Faxinas, trocas de favores, tédios,
Gozos, respostas de sorrisos, passeios, músicas tocadas,
Poemas declamados, sonos involuntários, unhas feitas,
conversas em dia, jogos, desesperanças,
Leituras, TVs, Esteves, foi-se, ficará,
Eternidades de instantes passageiros, secas considerações do tempo,
Semblantes pesados do tempo, bocas moldadas do tempo,
Olhos tristes do tempo olhando os olhos felizes do tempo de criança que está ao mesmo tempo, no mesmo lugar dos olhos tristes,
Que são os meus, são os teus, abertos, esclarecidos do dia que quase se vai,
Mas antes recebe minhas considerações de velho,
Velho mundo cansado de novidade, dizendo:
“bons tempos eram quando a novidade parava com paciência e me dizia
“tenha um bom dia, bom humano!”

Mas amanhã vou acordar descansado pra trabalhar,
É necessário trabalhar!
Funcionar a grande rotina das coisas,
Senão a mente para,
Senão separa a gente em sã e demente!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Amálgama ou a última faixa do disco!

É sobre o tempo que muda
E eu que não vou com ele
É sobre a vida
Que tira sarro de mim, me dizendo:
- Não é assim!

É de todo o amálgama dos pobres-podres versos
De sublime beleza pelo meu caminho.
É dos risos falsos
Dos olhos incertos
Dos corpos em desejo
Da tempestade desobediente
Do nada surpreendente
Do frio cortante que seca
O meu coração
Dos meus tubos de sangue orgânico
Anunciando
que podem
parar a
qualquer
Instante.

Do prenuncio do outro dia sem mim
Finalmente
Sobre sumir no espaço
Sem avisar, sem mais cantar...

Consumo

Vai nascer uma arvore dentro da minha barriga,-
escondendo-se da metrópole e do caçador ins-
ano. A arvore me tornará essência dela, cada v-
ez mais meditativo, cada vez mais olhos, silênci-
o, observância calada, compreensão do vazio,-
conexão perdida e achada com a natureza das-
coisas, deslocada do desvio que é o humano, fi-
nalmente arvore completa. 

Arriscado!


Ensaia a insanidade de amanhã
Você faz isso que é pra não pirar 
Você doseia o cotidiano
Engole com cautela a metrópole

Rosto sublimado pelo sonho
Foi o que estabeleceu resistindo:
A mentira poética tentada ser viagem
Afugenta tuas angústias do trabalho, do salário
Itinerário da mesma merda:

Você cansa
se não fechar os olhos ,as vezes,
e ficar pra
dentro de si um
Pouco guardado,
Um pouco louco comedido
Um pouco feliz e iludido
Sorri, segue, não te interessa
pelo que te dizem
De mal agouro e inveja operária

Não te convence a ficar parado
Qualhando o sangue das tuas pernas e vontades
Desregula o relógio e apreende o fluxo livre
Da eternidade, passeie meio louco, são, por entre os loucos iguais a ti.

Passam

Lá vão os corações partidos,
 partidos por alguém nobre que partiu
É lembrar,
pousar na eterna saudade o respeito e a falta
Seguir o funeral de olhos vivos e alagados
Seguir a vida incompreensível
Maximizar o sentimento e o nosso querer bem
Nunca o suficiente,
o que torna o coração demente!

Sem óculos


EU DEVERIA
ESCREVER PARA
UMA PESSOA
QUE PRECISA


...Ela! Só é imprecisão!

(escrever para o ser sem motivo no mundo, com medo e coragem de pular)

Via-reta


Eu Via reta
na direção dela
Veloz como
uma tartaruga

Eu Via reta
na direção dela
Como um monge

Nela
Eu via reta
Embasado da tristeza
E da tal certeza de mantos e mantos
Da solidão do Espaço

Eu Via reta
consumindo o
amor-das-coisas-todas-naturais
que só me chamam
pra ser Via reta.

Mas eu querendo te alcançar
E te consumir
Lúcido e entorpecido.

A Moon

Em qualquer porto do mundo
Absorveria essa noite
E me veriam como um louco,
No horário de pico do cansaço
Contemplando a lua

A lua, que só ela se sabe,
Ficando no céu
Tatuada todos os dias,
Revelando o momento da descoberta

O mistério que cobre a lua
Descubro olhando o céu

Vejo tudo escuro
E sou um cego abençoado
Porque o mistério descoberto
É a completa escuridão dos meus olhos
A pino ando atraído
Embriagado dessa certeza!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Minimalismo Musical

          vejam só essa música "Padeça Paciente" , autoral de Ramon Oliveira ( esse que escreve)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sobre o "Chef"

“O tempo das montanhas Indestrutíveis é com um pouco só de duvida, mas com muita certeza aquele auge do nosso espírito. Não deixemos que ele passe sem aproveitarmos o máximo porque vem depois a inevitável depressão. Sinto-me agora tão forte como uma montanha, sinto-me o início, sinto-me o destino sendo traçado. E o que é autodestruição pra quem olha pra trás e diz “que pena que eu não vivi aquilo”. Destruição é só tudo que hesitamos em fazer. Destruição no fim é a não destruição. Não tenha medo de cair de cara, vai ser muito bom lembrar que foi o tal "chef" depois de ter caído algumas vezes, ou que aprendeu a caminhar”

Tecer


Fluxive-se 
                Por entre
Ter-Ser 
                O outro Corpo.
Organize 
             a resposta ao 
Orgão:  -Caotizar!

Intesi-Fique 
por aqui ao meu lado
Vamos fazer nada para transcender
Vamos 
ret-oRnar a natureza das coisas

São coisas:
o mais próximo de nada.
                                    O mais próximo
                                    da distância necessária
                                    do  
                                    Símbolo.

Veije
o Rosto...
                    do mistério
                    que passa despercebido...

              Pres-Sinta
a Pele do 
              Presente,
              Que o presente
              foge:
              Converge a 
              e-TeRna
              Dúvida:
              Faz nós 
              amar-mos 
             um ao Outro
    Sem querer retorno ou troco.


        (acabou(?) -ALinha!)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ColonizaDores (Humanos! O Extra-Terreno se dará quando deitarmos, mas esperemos)

Não tem os Olhos Invertidos, são os olhos que lhe convêm. Não tem atitudes anárquicas, é a tensão do Relógio diluindo a Novidade. Um negócio de Nervos, de pré-Loucura, Plano em plena Perfeição, o que não é perfeito é Ele mesmo. Conversinha com o Sentido, restinho de Crença, sensação de não resposta em Tudo. Extrai disso, sua Invenção, senão, tudo sem referência lhe mata as Células, e esse morrer vai ser de continuar Vivendo. Que fique entendido: Não preza pelo encerramento, deseja o fantástico nas Atitudes da Natureza. Por exemplo, quando o Sol apresentar o PorVir, deseja uma resposta de milésimos de segundos que seja, mas para isso, deve se concentrar, como sangue nas veias. Não consegue! Se ergue para a continuação... Continua! Pois espera que na presença do cotidiano haja alteração, não reage, desfribila a poesia, um pouco exagerada frente a realidade. A Realidade EnTedia Frente a Poesia. E entre tédio e exagero não há nunca Entender.


                                             Como é precioso isso.

Pesa a História, a Memória Sequelada, a interação Social-Mental-que-Funda a Razão quase consumida em Ceticismo. Dorme... Acorda...Veste a Recepção, a Corda da vida não Arrebenta, o Coração é uma Mistura-Fria que guia expressão, estática, luz, escuridão, rapidez em câmera lenta, multiplicidade relativa de querer dizer nada, querer dizer tudo: Calor!. Abençoado seja o sentimento; O Subjeto, objeto atento de Função, Revisão; O Deslocamento Contínuo do Fim.

Inevitavelmente um Dia, vamos ali Morrer, como quem vai alimentar a Necessidade do Estômago de ir Comer. Inevitavelmente um dia vamos Descobrir, ou melhor, Colonizar os Campos ainda não Descobertos do Mistério.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A gente vai constituindo os Dias...

A Gente vai constituindo os Dias, é uma alegria que a gente nem percebe, tem microscópios que a gente não vê por todas as coisas que nos cercam, Sensação. Valha o Manto da Noite, Valha a nudez da Manhã, Valha a Umidade das nossas Fibras Incertas, Cheias de Interrogação sobre Existir... Mas que merda! Tú Existe e Pronto!... fuma lá teus cigarros, consome por inteiro tua garrafa, gira sem parar nos pensamentos, endoidece nesta Suspensão Poética, Deflagra teu Momento de Angústia e Música, se Desespera, Chora, Sente a Destruição de Amar Demais, é tudo muito pouco, é muito Ser só este ente Existente...
Depois... Grandiosamente...
TempesTeia...
pára sem esperarem isso de Ti, Natureza morta, Torta de Verdade.
Há que Haver nada no Ver, nada Significando muita Coisa.
Toma meu Abraço, minha Incompreensão, minha Lógica Estrategista de um Futuro Impossível. A terra há de lhe afagar e nos fazer lembrar que um dia você esteve por aqui, e mudou muita coisa, mudou cada linha toda hora sendo traduzida em Vida.
Meu irmão trás o violão mais uma vez. Vamos fundar a ilusão do momento, Diversão, Luto, Criação, Luto, Libertação, Luto, Visão, Luto, Paixão, Luto, Confusão, Luto, Estranhamento Lento depois que foi embora e deixaste todos os teus amigos que sempre lembrarão de como fostes Maravilhoso. Luto por tudo que Resta nesses Caminhos...
                                  Dedicado ao beatnik Ítalo Gabriel Pereira

domingo, 14 de agosto de 2011

O Comedor de Plásticos (um conto alegórico que preza pela relativização deste conceito) - Repostagem!

-Estivemos todos um dia a falar de náusea nesta “nova” tendência de se apaixonar pelo caos

    Deitado no piso da sacada do apartamento onde mora e mastigando, monologava em voz alta o neto do profeta, só para contrariar a crença que o avô tinha em destinos pré-determinados e que lhe eram divinos presságios.
    Seu avô, profeta do lucro próprio, dissera o seu sonho no início de um futuro império e agora o seu neto de vinte e poucos anos lembrava sua fala ou lembrava o que o pai  lhe tinha dito sobre a fala do falecido avô. A lembrança da lembrança da fala do avô era:

- A matéria sintética será a liga deste mundo cada vez mais moderno!

     Olhava o céu e calava. Logo mil vozes lhe falavam por dentro. Reflexo destas mil vozes era a sua rotineira e despercebida mastigação de vários plásticos fabricados, que lhe resultariam em breve em um grande buraco no estômago, pois aquele movimento impensado de mastigar algo que nunca seria encarado como alimento só liberava ácido gástrico para digestão de coisa nenhuma. As suas mil vozes internas, o anseio, a tentativa de lembrar e a limitação do conhecimento eram nada, e tudo isto era como o plástico em sua boca. Mas algumas vezes lhe acontecia de em uma hora qualquer percebendo que estava mastigando um plástico “morto” (resto ou não de um produto já usado) parar e imediatamente dizer:

- Oh não! Meu estômago!

...E logo em seguida emendar:

- Não faz mal, estava me impondo sobre a matéria sintética globa-alguma-coisa em que vivo: plástico!

...E acabava nostalgiando :

-Que saudades do meu velho avô que eu nunca vi!

...E depois criando a sua impossibilidade:

-Só ele, meu falecido avô, me explicaria sobre o sentido desta matéria sintética.

E por fim cuspia a matéria sintética.

     Esse pobre espírito contrariador tinha fé na irrelevância de tudo. Seus olhos captavam a dissipação das coisas transfigurada na ordem casual dos números em calendários.
    Quando criança, poderia sim ser justificável seu vício por mastigação de plásticos, principalmente embalagens de qualquer coisa, tampas de canetas, borrachas e os seus brinquedos, porque qualquer criança investiga e faz o diagnóstico do mundo pela experimentação das coisas que são neste mundo ingeríveis, não-ingeríveis e tornadas ingeríveis. Já nesta situação juvenil de vinte e poucos anos, esse hábito primeiramente despercebido e depois já aceitável por ele, era encarado pelos outros com total estranheza, o que acabou por lhe fazer afastar desses outros que eram comedores de coisas tachadamente “normais”.
      Ele viveu a vida toda nesta prática. Para ele não bastava só viver e comer coisas plásticas no sentido figurado, como bastava para as outras pessoas, mas sim literalmente mastigar e as vezes comer o plástico bruto. E Vejam que a criança que se tornou jovem inevitavelmente  ia para vida adulta até  o estado de  agora: um homem formado e bem sucedido, porque é o dono de várias fábricas herdadas do império que o avô um dia sonhara. Não só fábricas, mas distribuidoras e lojas da matéria sintética um dia visionada pelo profeta como a liga do mundo e a síntese da sua riqueza. O avô!... Um dia!...A liga do mundo!...
     Contrário a tudo e herdeiro dessa contrariação, ele explodia na execução de seu fetiche vicioso. Consumindo tudo quanto era cultura pop ele mastigava, passando os vários canais da sua televisão ele mastigava, participando da prostituição das pessoas paradas em cada “esquina” vendendo sexo ele mastigava, pensando na insistência desse modelo de reciclagem desgastante ele mastigava, pensando na dobra dos cabelos penteados de toda a sua família e nas suas maquiagens e na piscina e no fast-food ele mastigava, pensando na quantidade de sua memória ele mastigava, pensando no tamanho da sua idiotice ele mastigava, pensando em como não conseguia pedir o perdão ele mastigava, perturbado pelas suas várias vozes internas ele mastigava, perturbado em pensar ele mastigava.
     Ele estava melancolicamente feliz de ter se apaixonado pelo caos, de viver as tendências da sua geração e de estar passando da idade dos 60 e nunca ter nauseado por mastigar plástico. Por não nausear, se orgulhava, pois isso lhe afastava da possibilidade de um dia poder vomitar. Seu trabalho era o de todos os outros, o trabalho de só falar sobre náusea, o de talvez escrever sobre náusea, não! não! Ele não era metido a escritor, ele só monologava e habilmente mastigava. Se a memória não falhasse, como sempre lhe falha ele talvez lembrasse (e abriria sorrisos por verificar que não tinha sido incoerente em suas idéias) que quando jovem ele disse em voz alta num de seus monólogos:

-Estivemos todos um dia a falar de náusea nesta “nova” tendência de se apaixonar pelo caos

    E olhem: As tendências nunca mudam, nunca cansam, nunca morrem, são o plástico reciclável, são o império que vai do avô até a criança, tornada homem, tornada de novo avô. Mas (e há sempre um mas) o homem morre, e de tanto amar o plástico morre de gastrite do nível mais alto: úlcera ou câncer, pois o rombo no estômago é irreversível.
    E aqui agora, jaz o Comedor de Plásticos, herdeiro de um grande império que passará aos domínios de outro. Jaz vítima, em plena praça, dum Shopping Center rodeado de estabelecimentos de venda, muita venda, vendado e engasgado por seu sangue, molhado em lágrima, com dentes deformados, com mandíbula deslocada, em seu terno de trabalho, com as chaves do carro que deixara aberto em uma rua qualquer, com o buraco no estômago cultivado desde a infância e literalmente cheio dos mais variados tipos e insabores da liga do mundo cada vez mais moderno.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

É o que chamam de Delírio de Retorno! (Acordes da madrugada)

Obs: Em cada acorde eu falava desAcordos em contato informal com o mundo debaixo de significados revistos para as Avessas do Desacordo!

I Acorde
Eu volto à inanição, motivo que tinha esquecido dentro da rejeição da linguagem que definem por poética. Eu! um mendigo sem identidade! Um cachorro louco! Um senhor que ouviu, ouviu sua voz num poço como o barulho daquela pedra que se joga para constatar a água, a vida.

II Acorde
A inanição, que é a beira da morte da fome, um tal êxtase simbólico, um filtro da Rotina em Ruínas me pede retorno mesmo a Esmo!

III Acorde
Tudo é muito bom! O ar puro dos corpos em imediata produção de células é muito bom e o tempo que vai gastando essa produção, Inanição! Muito bom até quando parar de ser. Ser por toda a vida é o que se deve ser!

IV Acorde
Forma de dizer bulhufas e discursos políticos: bulhufas!

V Acorde
Mar agitado no copo quase frio de café, entre a descoberta da boca racional que prevê o quê, o quê? Previsibilidade sensorial por entre as juntas das maquinaria do corpo esquecido humano . Lembre-se! Lembre-se! Repita tudo que vier a mente! Duas vezes! Para dar ênfase e não cobrir de esquecimento!

VI Acorde
Não durmi direito e agora vou constituir a música dos dias!