terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ao Ano Novo um Ovo-De-Novo ( eu sou os Dias, eu sou os Graus Térmicos, eu sou a Contagem Regressiva do Regresso)

Eu sei que está frio lá fora, sinto e até adiciono que:
Aqui dentro também congela, mas o calor é dos infernos na vida externa que aos poucos rejeitei: o calor que faz a convenção dos contimentos, das continências, dos condimentos, das conferências. Que gelo que conserva a carne vanguardista que repete a decadência?
Olhem! Na Virada estarei a desarmar um tal Big-Bang patrocinado por empresas terroristas da felicidade. Cortarei os fios positivos: positivos a minha ânsia de corta-los ,desativa-los. Quando os cortar  me sobrarão os negativos, mas a tal explosão acontecerá do mesmo modo.
                             
                                                           Fogos em nossos
                                                                  Artifícios
                                                            no céu de nosso
                                                                     Véu!

Renovação do trato, um contrato entre demônios. Será num dia qualquer que passará para outro dia qualquer: o mesmo cão-imundo-homem-com-fome-e-corte-de-morte-na-ala-da-festa amanhecerá jogado na sarjeta pedindo Carnaval e mais entorpecimento engarrafado.
Me ocorre falar de esperança e do seu cheiro azedo.Quem suporta? Um humanista sem senso nenhum de realidade? Discutam isso no ano que Vêm-Indo!, tomem na cara a identidade nossa, procurem ali entre a vazia explicação dos sentimentos que obrigatoriamente precisam preencher nossos corações de décimo-terceiro-a-décimo-terceiro.
Que maré, que surto, que afogamento, que ressaca, que percepção de quase-fuga., que pena .O Zero da contagem remarcará tudo outra vez e surgirão novas chances de perder de novo-no-ano novo.  A isto um  prêmio: um Ovo podre que é uma vida quase-viva e morta.
Ainda que uma feia e frágil flor amarela tenha nascido na rua e rompido o asfalto fui admirar meu precipício, semblantado e inexpressivo, nos cristais quebrados que são a desistência. Reflexo ao revés da vida que posso vir a ter.
Adoro beijar o risco sem correr risco nenhum. Adoro a metáfora. Adoro o ritmo da minha insuportável-agonia-suportável. Adoro decorar os meus votos desatentos. Adoro dores e odores, de longe, no meu seguro-cubículo-de-cordas-tensas-e-bambas. Adoro ir matar minha fome de idéia e de comida e jogar no lixo tudo que gulosamente a minha vaidade não quer mais.
Um desejo? Um sonho? Uma extravagância? Esta então:
"Estar recomeçando cada vez mais velho os caminhos tortos que são a existência, mesmo cuspindo todas as constituições falsárias do Nosso(me desculpem!...)do meu perfil, e indo recolher as peças cuspidas para seguir"

Obs: Dado o dadaísmo, dado o dia...hoje tudo congela por dentro, mas exterior a mim tudo queima e breve, breve só cinzas restarão desses dias anteriores.

3 comentários:

  1. Cinzas que mostram o passado perdido e que povoam o futuro sendo mais uma vez ignorado. Nesta inevitável e constante perda de vida, ou então vida vivida na morte da alma daqueles que ainda andam por aqui.

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  2. Nossa Ramon vc ta ficando a cada palavra MELHOR! Tenha uma otima noite de reveillow com tua familia. Até dia 5.

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  3. em breve só as cinzas restarão realmente...
    adorei a postagem Ramon!!!
    Um abraço!

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