sexta-feira, 1 de outubro de 2010

o Dia Triplo no Descanço de um desesperado (vamos nos alegrar pois o sinal abriu, e o Amarelo da atenção é irrelevante)


Os punhos fechados movimentam a lâmina
Fechado também é todo o coração
Porção de indiferença anestesia a dor
Jorra sangue!
é lindo!
Vida que se esvai e o suicida ébrio do mundo
Pensa e escreve no ar a mesma frase
-Pai porque me abandonastes?


A porta aberta revelou a silhueta do retornado
O semeador pródigo,
Há tempos semeou esse desesperado e sua própria dor
Maldita corrida vencida de espermas!
Depois dos Rostos em confronto
E do pedido de perdão de um, e da negação de outro
Houvera grande impasse
Amargava a arma de execução do filho
Dívida à dívida pesava a penitência de ausência do pai
no pedido de - Não me mate!


Na hora do disparo
a voz com o ódio e com a arma
também gritou:
-Pai porque me abandonastes?

(o Crânio do semeador esfacelado no chão e as ações espatifadas)


A criança ,pré-adolescente, suava dormindo
Queria acordar
havia lido partes do evagelho de João
e mergulhava
em pesadelos de suicídio e de assasinato.

Os olhos estavam inundados
desde antes de dormir:
Quando a mãe sofrida tentara explicar
O motivo da ausência do pai
Da nem existência,
pois o coração não batia por isso
Batia pela falta,
a falta lotava os sentimentos confusos
Do garoto

E Jesus ecoava a frase enigmática da humanidade
na cabeça do menino
-Pai porque me abandonastes?
O garoto pesadelovivia:
Ia sabendo o que era morrer...
Ia Sabendo o que era matar...
Mas antes de ser tomado completamente
Pelo desespero
Fugiu desta fuga de sonho
E aos gritos alarmou a mãe

Depois  no colo materno
houveram os cheiros macios da segurança
e de seu Útero não germinado,
seu Útero vazio,
seu não-Útero.

Havia o amparo e a proteção dos monstros a serem criados
Agora Dormia bem, muito bem... Sonhava...
              
                   -Sonhara/que/era/bemmelhor/doqueera/masacordara (chamava a metrópole e os traseuntes)


O menino tinha o cansaço de Três Dias em Uma Noite,
da sua viajem com qualquer entorpecente,
Pois acordou verdadeiramente Sozinho
e aos sons de carros passando em cima,
na ponte,
Sobre travesseiro-pedra-papelão,
Na macies da terra,
Na faísca do sol alto.

Arrastava Cruzes que não eram suas
e não esperava mais,
e não Via promessa
via só o sinal Vermelho,
e já de pé,
oferecia miséria pelos vidros dos carros
e no Verde do siga sem ver
se oferecia em salvação
e estava pronto,
pronto para de novo sobreviver.


...Não via promessa, via processo, via a via.
- Se eu não morrer vou viver( não cantarolava sinfônica(mente))

2 comentários:

  1. que interessante, são de sua autoria Ramon?
    achei-o digno de respeito!

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  2. Me deparei com um ato de suicidio esta semana, e me perguntei quais pessoas são dignas de nossas lágrimas? As suicidas que nao se dão a oportunidade, ou as pessoas que lutam pela sobrevivência no Haiti, querendo uma oportunidade?
    Isso é a voz do cale-se!

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