sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Duas Formas Discutiam! (e Marte imponente)



-Ora Gitinho, és apenas Gitinho e Frágil (falava o um para o outro)
-E tú Maceta, Macetão e todo Atabalhoado (falava o outro para o um)

E a carga de tamanhos foi massacrada pela não compreensão de estarem
apenas vagando inexistentes numa Via Láctea. Mal sabiam que iriam ser sugados, 
pressionados e explodidos se tentassem, com o tom atrevido que tinham, ultrapassar os limites de Marte.

obs
ver do amazonês
gito ou gitinho: pequeno
maceta: grande



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sobre os Desertos (Eles,Elas-Nós-Eu nos Caminhos!)

Há Ida!
E Vão,
e Ida,
e Vão,
e Ida,
e Vão,
E Volta!

(Em vão
a Vastidão
MinÍma...
MinÍma...
e TrucIda)

Nano-Retrospecto-Romântico refletor desta Suspensão Poética

Aproveito esse Suspiro interno,
um vento, ventania,
que por dentro destrói a segurança,
a ansiedade,
o gosto por entre o gosto,
a vontade de encerrar o Cronômetro,
de estourar o terminal sentido-térmico,
Para Lavrar o meu Interesse:
Que dita verdade e dita mentira!

As veias querem pular para fora
ou o sangue está muito quente
Quem bombeia o Ato Humano Irracional?

Não há Tontura,
Há Visibilidade e Correria
Há uma Paz coberta de Calmaria
Contradição de Estados!

(As flores lá fora,
ainda irão brotar
Quisera eu largar
de tudo
E vê a força que
minhas sementes
impõem)

Demorou Tanto tempo!...
Tanto tempo!
Mas hoje tenho a Coluna
que sempre quis
Ando curvo e ofereço
a minha Submissão!
Donzela!
Ofereço
a minha submissão!
Ofereço certa Torre,
Certa Quimera,
E você Modernosa,
Não se deixa Iludir
Por toda esta
Suspensão Poética!

domingo, 24 de outubro de 2010

Reunião Extraordinária

Tudo é tão rápido
que não alcanço o Nascimento da Novidade
Ela não nasce, Aborta
Precoce suspira uma vez
e se despede
nunca anunciando chegar

Posto à frente
das mesas de uma
Reunião Extraordinária,
velando o feto Natimorto da Novidade
Falo como
Todo Mundo
Um
Corpo Uniforme,
que se diria Sumo,
Resumo,
e que antes fora talhado.
Mas a importância do diálogo
Que sempre faço
Ficara
nos
      Fiapos
              Cortados,
    nos
                Miolos
    Rejeitos,
    nas
              Beiradas
Raspadas,

Esses, Os restos,
de lá do chão sentenciam
o seguinte
que
não se
Seguirá:
-A Tragédia hoje é não haver Tragédia
Que todos
são
Hábeis
Engolidores
E a política atual
É a das
Goelas
Que filtram
toda a Aspereza

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Das Insignificâncias e Basta!

      Quem vê sempre o duelo de faroeste que se dá nos últimos dez segundos de cada passagem dos dias, sabe que nem o Hoje, nem o Amanhã recuam. Mas há o impasse, o impasse de ser o Ontem! Voltemos: estes escritos estão se repetindo à La Piegas!. Mas se não for isto será a realidade talhada em piso perfeito para pisar firme.
     Observem: Já tenho me cansado de pisar firme apenas. Quero poder aludir o vôo, o flutuar. Enganar a gravidade em Pensamento.
     Ave! (a que rodeia o céu)
   Deve existir aquela predisposição nossa de acreditar no inexistente?
       senão Nos perdemos?
       Nos condenamos?
-Sim, Sim, Sim, piririm, Sim, Sim! ( a ave responde avando)

    A Mágica! Que não se revele, fisicamente, em explicações para realidade. Comecemos agora mesmo a jogar no lixo todo este empirismo que fica vigiando as Portas, as Janelas, as Frestas, as Rachaduras, as Aberturas.
    O Louco! Aquele que te aborda. Não lhe tire a sensualidade da Loucura lhe diagnosticando nas caixas tarja preta. Ele é sim, um Cavaleiro a enfrentar Dragões, Gigantes, Bestas Engolidoras de mundos. Que ele ande aí, mais vestido do que nunca, com todas as suas vergonhas explicitadas (vergonhas não seriam, na verdade, aquelas partes que nós não cobrimos? Aquelas que traçam sorrisos e desprezos?).
    O Cego! Saiba que ele vê, inclusive vê que é subestimado, e enquanto nada nas águas tranquilas e negras da visão essencial, arquiteta momentos de apreciação dos sabores, dos saberes. Contacta planos superiores, lá na aparente inferioridade que lhe dizem.

     Hora dessas alguém já morreu no Bang-Bang Cronológico. Hora dessas alguém já é Ontem. Mas vale qualquer coisa esta Vitória ou Derrota? .Nada encerra totalmente! Retiro o que eu disse antes, e coloco esta “novidade” (leite qualhado) no lugar: Ninguém é Ontem, e todos carregam o fado da Vanguarda! Sabem a Vanguarda? Um batalhão de peitos abertos pra chumbo grosso, a primeira fila a Despencar. Pencas de Bananas que são!, ops!... perdão!, que Sou!
    Quando o sol se põe e os créditos sobem na tela, fica grudada na consciência coletiva, de forma inconveniente, a necessidade de Todos irem descansar por algumas horas que medem a Saúde. Nestas horas fica-se Fechado e com Olhos guardados nos Bolsos de trás de quem não têm Bolsos. Isto são os efeitos dos Dizeres, Dizeres Significativos. Algo como: -Vá dormir e Acorde! Ou: -Sabe como é o truque? É assim! Ou: -É um louco, cuidado! Ou -Não seja cego!. Já disse algum desses?
     Lá nas Cidades-Ruas onde vi a Mágica, o Louco e o Cego, também vi aquele que se enclausurava na dor de não poder apreender tudo: O EscreveDor. Era horripilante a sua matéria constituída: mondrongos e mondrongos de simbolização em sacrifício por causa maior: a alteração gravitacional da realidade, a diversão de poder levitar ou pelo menos de dar levitação.
    Para tanto, ele, o EscreveDor, precisava que, diariamente, o seu desejo se realizasse: O de todas estas significâncias se explodirem e irem ao Diabo lhe servir uma Coca sem Gás .As significâncias deveriam sumir da linha contemplativa dos Sonhos.

Mas Como?

Resposta:
Através
Das Insignificâncias.
A força para conseguir realizar esses seus desejos
Vinha
Através
Das Insignificâncias!
E Basta!


(Bons Dias
à Mágica-Loucura-Cega
de fugir aos objetivos diários
e tão muito bem explicativos,
para a confissão do sentir,
para a reprodução esfomeada
de quem tem pressa.)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ser Deus Punitivamente

Ser Deus Punitivamente
é ver as Gentes e não conter todo o poder
não descer
não ter forças para ser qualquer
Fraco Humano

É ser imortal vendo
inclusive
as Rugas do Infinito
e não as suas

É não sentir o gosto da
vivência-da-sobrevivência
e do valor que
quase sempre se consegue por isto
É não se Doer nunca
e não Saber pois já se Sabe

O Deus Punitivamente
Decai altivo sempre acima,
no máximo de tudo:
Esgotável e por tabela Tedioso

Garoa ou o Depois da Nordestina (Quanto ao Futuro)

“para a minha Imaginação e desconsiderando estar mexendo em cadáveres já consumidos- o de Rodrigo SM, o de Maca, o de Clarice- Perdões!”

Depois que Macabéa morreu
toda vez que chovia
Era Ela
em infinitos líquidos
de sentir descendo
pelo Céu
Sempre sentira um não-sei-que
mas nunca houvera alguém para entender
quando até Deus se anulava

SIM!
Ela só sabia chover Olímpico

(Sobra depois da Hora da Estrela!)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Teu Corpo têm um Relógio!

“o Temporal chove a água do Tempo que não nos é, e a escorre para qualquer esgoto de Tratamento. Bebemos desta água tratada do Tempo”

-Que horas são moça?
-São 19 e 25 da Vida
-Não será esse o momento da Mudança?
-Foi a 25 Atrás-acho
-É?
Eu jovem
desta idade,
2 décadas e meia,
e sou todo rachaduras
mas me orgulho,
já sei que o Brasil foi “descoberto”
e que
a navegação hoje é InterNáutica
e que
têm Rapidez de Luz

-Que horas são moça?
-São 19 da Necessidade para-Trás
Respiro fundo,
me engulo
e saio Lúcido
de
mais
um
Dia
Espero não explodir em Outro
qualquer incontrolável
Espero aguentar oblíquo a Decadência
forte
dos
Nós

-Que Horas são Agora moça?
-Não sei mais!
Quebrou,
Parou ou é Inútil
Este tempo
E a escrita-talvez
Do querer dizer nada dizendo
Algo
Em papos e papéis

-Me dá teu telefone moça?
Ou
Vamos sair daqui desta Pressão?
De antes da queda do Temporal
Ou
Vamos nos abrigar?
Eu me abrigo em você e você em mim
Que o Temporal vai destruir
os Sonhos sem nossa cria
e Ele te dirá em Traços
tua Velhice Nova
e configurará tua falta
de Identidade
Estacionada.

-Recuso moço!
e me deixes em Paz
nesta Agoniança à meu gosto
Tenho e quero continuar a Ter
a Sede
Salarial
da Sede
e acho justo este fim de mês
na minha
Contra-Corrente.



   (Cai o Temporal e há milhares de desabrigados
                      E soterrados pelo Solo não seguro.
                   E do amanhã não se sabe o que fazer)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Olhares que se Querem Nus (à Infante uma Dedicação)


A Infante
rejeita toda esta Distorção
A massa sonora muito significativa para o mundo caótico
A Infante só quer brincar
Soltar frases desconexas comunicando a inocência
A Infante quer ser Infante
sem datas
Sem a responsabilidade de entender o Sofrimento

A Infante que acorda e vê estes dias sem cores
Vira-lhe as costas,
e vai abraçar os seus Amores:
Mães, Pais, Avôs, Avós, Irmãs, Irmãos,
Humanos de criação
(E se não os têm?)

Em linhas Gerais:

À Infante que inventa
novas forças de resistência apenas rindo sozinha
À Infante que fala a milhares de Imaginários Seres,
e crê porque de fato eles existem
À Infante imune a exposição dela mesma
em vitrines infindas
À Infante ansiosa pela brincadeira
rica de liberdade
À Infante que quando cai
quer alguém para lhe afagar as lágrimas
À Infante
que não resiste se têm fome
À Infante
que se comunica com os Animais
À Infante
que não têm Portas Celestes a sua frente,
que Tudo é aberto para ela

À esta Infante que Espera do Mundo
Mais Esperança e da Esperança
Mais Infância
Dedico a nossa promessa de Regresso

Obs: Em algum lugar, dos mais miseráveis, uma criança chora
fora do tempo de chorar
(eu pergunto aos nós em nós:Porque?)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Undergrounds Apocalípticos ou Os Ratos: Entidade Omnisciente


O teu Bucho consome
Industrialmente os nutrientes
do resto subproduzido
de uma promessa de Céu
Existe uma não entendida
Extensão,
em nossas vidas,
das valas que tu percorres
E lá há lama
e só a lama é pura,
só a fórmula da poluição
excrementa o
Cotidiano,
tritura os Dramas,
dissolve os Aliciamentos
E tu reinas por esses espaços
que são o resumo de nossos planetas íntimos

Almejas a carne podre
que anda por ai viva
E só tens crescido com a população
Com as guerras à prestação
Com a tecno-fome
de um zilhão de instrumentos
disponíveis

É teu
o Privilégio de
Caminhar após a Explosão Nuclear
sobre o Quadro distorcido de nosso Amor:

Membros lá, Cabeças acolá:
O indício mais presente das
nossas Ausências,
Ausências não transcendentes
Não Salvatórias

Síntese em pêlos
De olhos de sangue
Que Só os Ratos
são a Verdade
Contida em Solo
Subsolo...Avante!

sábado, 9 de outubro de 2010

Os Balões de aniversário de quem não nasceu, os balões apenas! (fala a morte aos precipícios de rostos e razão)


Sou órfão da criação
É o que estes nervos me dizem
Há minha carne?

São as pontas dos dedos inutilizadas
Que passam fome
Estas unhas nunca sujam?

Acho que esgotou a fonte
e fonte esgotada é abismo
de sorrisos? de sarcasmo?

há ação Cênica e só,
e até Cínicos são Cênicos
Se fossem apenas cínicos
salvariam a humanidade
mas se mostram produto
dum canibalismo geral.

Destes corpos nervo-ossos
Destas cargas elétricas das
Células
Desta perda imponente
de nossas pontes, Sinapses
Forma-se diariamente
Uma ração,
um Óleo de reparação,
e Um contrato Prostituto
Que prevê algumas
coisas como:
Casas, Carros, Pênis,Vaginas,
Muros e um Ódio disfarçado
Em Omissão

Sei que o stress do caos cotidiano
é A Inflação:
Estes Balões tão frágeis
Que pesam nos seus cordões
e nunca murcham,
pelo contrário,
Só inflam mais e mais

São Balões que seguem
a moda das Roupas
Vendem muito
Pois
A Morte têm bom papo
-Mas quem os compra?
-A própria Morte oras!
-mas quem os encerra?(os estoura)
-A mesma Morte oras!
E quem me fala?
- A Morte...oras!
-Já me busca?
-Não, quem me busca é você por esta Vida.
Eu só estou aqui para assistir ao Espetáculo.
Gosto destes Balões, do conjunto de carnes e nervos,
da euforia de vocês, da inflação, das cordas, do
Estouro final...tenho Agulhas aqui!

PAC, PAC, PAC, Punk?, pouco!, PAC, PEC!,PEC!, Pec!, não PEC e...
BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM
BOOOOOOOOOOOOOOM..., BOOOOOOOOOOOOOOOOOM...
VUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU...

-ATÉ Atômicos tomam as formas plásticas destes balões!
(a morte sorrindo e com óculos para visão 3D)

-Parabéns para vocês, nestas Datas queridas
Muitas felicidades,
muitos anos de Vida
(Canta a morte E sai andando)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nas madrugadas (eles ladram pois ladrar é mais afetativo que morder)

Os meus Cães ladram aqui dentro
Pirentos!
E lambem as feridas que qualificam
O não-pedigree e a liberdade
E constante
(a) -Mente
Estão no Cio
Causal da visão
e do porque

E se Dormem Todos
eles já
Se Põem a Latir
Com Ignorância
para Incomodar
as formas formadas
das Almas

(Não ficarão Presos
Estarão pois,
em permanente
estado de ameaçar)

O Encontro Informativo

Observei os gestos de uma ruborizada
De uma nervosa delicada e autêntica
Ela levou as mãos aos cabelos e soltou
Percebi,
Atentei,
e fotografei isto
Na mente
E agora me roda esta imagem

Passaria por mim
se não tivesse a chamado
para me orientar
E assim meio assustada,
com olhos e boca
e mãos delicadas e bem feitas
me indica
ser no fim o lugar

O fim era ali,
no instante da indicação.

Devo mais que rápido te apagar
Senão corro o risco da embriagues
Dos tontos,
dos ridículos
Pois estamos mais distantes
Do que próximos
Bela transeunte sem-nome

não quis dizer

Comia lixo
Corria risco
Intragava-se
Travava-me
Laudava no:
Fincava em:
Cumpria com
Cumprimentos
Compras
Deste
Dente dava dor
Não da gente

Gravava a vida
em grutas
engravidadas
gritava grave
e o som salvava
sendo-se só,
salgado,
sanado surtado

até chover
e o chato chapelado
chamar em pingos
pontas precavidas
de projeção.

Recebendo o Sentimento

Que hoje me ocorresse
de sentir a instabilidade
de quem sente
Como um punhal
cravado no ponto fraco
que sustenta nossas forças
O ficar tonto,
sem perder a compostura,
sorrindo e continuando a não
dizer
Verbalmente
Num cúmulo de saúde,
receando
a doença

Dejetar é ser
e Não há bem estar
em todos a dejetar
e ser

...Confundia
o ar rarefeito.

Me parecia que
uma amargura subia a garganta
e voltava ao âmago do estômago

Algo como
um acumulo de contradições
líquido-meio-qualhadas
do tempo

Fungo
em breve
seria aquilo
e por dentro
gritaria a necessidade
de viver
na morte

domingo, 3 de outubro de 2010

Câncer de pele dá alma (sobre um sol negro, não-metafísico)

A Dor se mostra
no escrever como Português
Que Português que sou
É no falar em Português
Que é em português que falo
Escrevo e Falo
nas
Identidades
E me crescem pêlos(poros)
no rosto
E eu (as) corto e (as) avivo.

Das identidades já me afasto um pouco
Desta cultura de estar sempre disperso
Pensar em mares navegados
Já pensados

E toda uma terra estendida
se rende,
se ergue,
Se Cria,
mente o Mito de Origem da nossa glória
Será que suo esta carga da Herança Conquistadora?
Ou Será que suo este Fracasso?
Porque olho a pessoa dita menos compreendida
E ela não cavou em si
Poços Profundos
Mas vive feliz
Mastiga-se e vive

Diga-se:
O Amanhã é Anacrônico!
E Vejam que futuro bom
meus irmãos insaciáveis!


Haverá melhor novidade
Que saber que toda novidade
É a banda de apoio de uma marcha
Passando o tempo?

Vou me investigar porque sei de algum Delito escondido
Finjam não ouvirem que é o não-delito
Que é o não-pecado,
que é este convencionalismo gordurento

Por um momento,
que não existe,
tudo muda,
Tudo cala,
um controle universal se ativa
E a linguagem do silêncio se instala
Desses segundos-quase
se abre a possibilidade
De uma compreensão maior

Por um momento
Queima na pele Apolo
Maior que o sentido
E Abre a mente

Hoje não observo marcas
Só cascas consequênciais,
Mas existe afetação mais densa
Será a glória da Conquista?
A Herança?

Transpiro o câncer do futuro
e sorrio nas fotos
Transpiro o câncer do futuro
E sou um templo impaciente
Transpiro o câncer do futuro
E no agora epidérmico tudo está intacto!

É porque dói demais
morrer queimado
vez por vez
E no tempo das sombras que seguem
Onde se vá
sabe-se haver excesso
De luz
e não
de escuridão

                     
               (O sol
                sempre
                se põe
                aos luso-brasileiros
                como quem
                não gozou
                o prazer
                intenso
                da evaporação
                total
                das certezas)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

o Dia Triplo no Descanço de um desesperado (vamos nos alegrar pois o sinal abriu, e o Amarelo da atenção é irrelevante)


Os punhos fechados movimentam a lâmina
Fechado também é todo o coração
Porção de indiferença anestesia a dor
Jorra sangue!
é lindo!
Vida que se esvai e o suicida ébrio do mundo
Pensa e escreve no ar a mesma frase
-Pai porque me abandonastes?


A porta aberta revelou a silhueta do retornado
O semeador pródigo,
Há tempos semeou esse desesperado e sua própria dor
Maldita corrida vencida de espermas!
Depois dos Rostos em confronto
E do pedido de perdão de um, e da negação de outro
Houvera grande impasse
Amargava a arma de execução do filho
Dívida à dívida pesava a penitência de ausência do pai
no pedido de - Não me mate!


Na hora do disparo
a voz com o ódio e com a arma
também gritou:
-Pai porque me abandonastes?

(o Crânio do semeador esfacelado no chão e as ações espatifadas)


A criança ,pré-adolescente, suava dormindo
Queria acordar
havia lido partes do evagelho de João
e mergulhava
em pesadelos de suicídio e de assasinato.

Os olhos estavam inundados
desde antes de dormir:
Quando a mãe sofrida tentara explicar
O motivo da ausência do pai
Da nem existência,
pois o coração não batia por isso
Batia pela falta,
a falta lotava os sentimentos confusos
Do garoto

E Jesus ecoava a frase enigmática da humanidade
na cabeça do menino
-Pai porque me abandonastes?
O garoto pesadelovivia:
Ia sabendo o que era morrer...
Ia Sabendo o que era matar...
Mas antes de ser tomado completamente
Pelo desespero
Fugiu desta fuga de sonho
E aos gritos alarmou a mãe

Depois  no colo materno
houveram os cheiros macios da segurança
e de seu Útero não germinado,
seu Útero vazio,
seu não-Útero.

Havia o amparo e a proteção dos monstros a serem criados
Agora Dormia bem, muito bem... Sonhava...
              
                   -Sonhara/que/era/bemmelhor/doqueera/masacordara (chamava a metrópole e os traseuntes)


O menino tinha o cansaço de Três Dias em Uma Noite,
da sua viajem com qualquer entorpecente,
Pois acordou verdadeiramente Sozinho
e aos sons de carros passando em cima,
na ponte,
Sobre travesseiro-pedra-papelão,
Na macies da terra,
Na faísca do sol alto.

Arrastava Cruzes que não eram suas
e não esperava mais,
e não Via promessa
via só o sinal Vermelho,
e já de pé,
oferecia miséria pelos vidros dos carros
e no Verde do siga sem ver
se oferecia em salvação
e estava pronto,
pronto para de novo sobreviver.


...Não via promessa, via processo, via a via.
- Se eu não morrer vou viver( não cantarolava sinfônica(mente))