sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poetas Marginais

Estava procurando a marginalidade poética por esses dias
E não a encontrava
Não atentei para a televisão ligada
e atentando
Vi o que procurava
Vi reais marginais
A serem indicados por câmeras e cenhos de reprovação
E eles na profundeza
Minando lirismo
argumentavam calando
E recebendo a execração cidadã

Ninguém percebia que naquele momento
As proximidades eram tão próximas que
Não haviam Margens
Mas por questão de definir o torpe
Se indicavam ali, televisionamente,
Os Marginais, e pediam-se os seus pronunciamentos

Eis que surgiria
a anunciação para a purgação alheia!
Os marginais guardavam no fundo de suas culpas
A identidade geral da poesia
E por assim dizer a chave de ouro
Das compreenções
E isto iria se justificar
Agora
No limiar das suas opiniões

Microfones, luzes, espelhos midiáticos
E a Ira dos cenhos bem
Insaciáveis

Um do bando
levantou a cabeça e assim acabou ficando
totalmente nu, pois o rosto era a única roupa que lhe
haviam permitido usar, era o início das punições
Este que levantou a cabeça anunciou
o lirismo marginal que todos esperavam
e com isso representou e foi o mundo

A beira dos microfones ele traçou um sorriso irônico
e sonorizou do fundo da alma um rosnar,
e alto todos os outros, compreendidos,igualmente
rosnaram para as câmeras acusatórias
não fazendo se entenderem

Ditavam socialmente a perspectiva
da arte
e assim foram poéticamente, verdadeiramente, humanamente
marginais, marginais, marginais.

obs: todos os outros sem se entenderem na poesia marginal, distaram-se!

Um comentário:

  1. " As faces que desprezam os sentimentos desprezíveis, só facilitam a aproximação dos seres injustos que só sabem criticar os atos, mas não acolhem a tristeza da luta".
    Severos pensées...

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