sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Eu Coveiro, Ela Permeio da Terra!

E o ponto final ia se dando a ela
Olhos fundos que de sofridos e dilatados acastanharam-se
Um aperto constante no seu pequeno coração
Um aperto para esmagar

Ela verdadeiramente teve espasmos de dor:
Contorcidamente Convulsivava
Seria toda um não destino lutando
Gritando pelo coração que se lhe ia esmagando

Num dia apático para se ir acostumando a morrer
Rejeitou os corpos externos para sobreviver
E Oposta a escolha arranhava nos gritos que dava
O Sentimento nulo de nossa inutilidade
Nossa inutilidade, nossa fragilidade...
Em excesso de pêlo, do corpo, da matéria
De nada, oco e ido, explodido por dentro como um enfarte

Agora que finalmente expira, lhe volta a calma
Por instantes a alma do que foi
e nos olhos voltados ao azul dorme
posta leve, pesadamente leve
e só nós lamentamos, e só nós choramos
pois ao lado, indiferentes ao turbilhão racional humano,
se põem a lamber ou a saudar num não pensar
uma cadela e uma gata que ficam no plano doméstico da resistência

É o fim, é o barro, o barro aberto em buraco
que se fecha e encerra a saudação
e só deixa a Saudade!

“À gata Lilite (e tantas outras) morta envenenada na quarta-feira por UM anônimo frio ou por causa acidental”

2 comentários:

  1. Adorei a estrofe final =]
    parabéns. lindo poema.

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  2. Fico grata que siga o vórtice. Já estou a ler teus escritos a alguns dias. Foi uma agradável surpresa vê-lo por lá.

    Beijo

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