terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sobre as linhas retas reveja as linhas retas

Guarda esses instantes
Onde todos os corpos se desfazem
Porque os Ares são Indefiníveis
Mesmo significando essa definição

Afoga as luzes do seu estado
O Dia vem sempre acabando
Na medida em que vai sempre chegando
Simplifica a Loucura
Pois a Razão fatalmente firma esses
risos ilógicos
Do Lunático

Fecha a conta e prega na parede do Eterno
Entorpece a Dívida
Da viagem ou fuga
da Realidade
Esmorece nu
sendo-se
Agarra a Velocidade
solto,
Perdido
fica em algum
lugar da sua Consciência:
Sentidos não podem
tomar a forma das coisas
Circunscritas:
Em cheiro, em gosto, em tato,
em áudio e visão , em racionalização!

Cala-te e deixa o Ar não entrar,
se reconheça Espaço Vazio

Mistério é o lado mais forte do Descoberto,
Simboliza micro e macro das estruturas
sempre iguais:
de uma Folha ou do Universo
Agora permita a Entrada gratuita de Todos
ao Mistério
As possibilidades são pacotes lacrados
e sem remetentes
Neutraliza as Permissões
e respirando
Diz Sempre Para Não Dizer

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Comedor de Plásticos (um conto alegórico que preza pela relativização deste conceito)


-Estivemos todos um dia a falar de náusea nesta “nova” tendência de se apaixonar pelo caos

    Deitado no piso da sacada do apartamento onde mora e mastigando, monologava em voz alta o neto do profeta, só para contrariar a crença que o avô tinha em destinos pré-determinados e que lhe eram divinos presságios.
    Seu avô, profeta do lucro próprio, dissera o seu sonho no início de um futuro império e agora o seu neto de vinte e poucos anos lembrava sua fala ou lembrava o que o pai  lhe tinha dito sobre a fala do falecido avô. A lembrança da lembrança da fala do avô era:

- A matéria sintética será a liga deste mundo cada vez mais moderno!

     Olhava o céu e calava. Logo mil vozes lhe falavam por dentro. Reflexo destas mil vozes era a sua rotineira e despercebida mastigação de vários plásticos fabricados, que lhe resultariam em breve em um grande buraco no estômago, pois aquele movimento impensado de mastigar algo que nunca seria encarado como alimento só liberava ácido gástrico para digestão de coisa nenhuma. As suas mil vozes internas, o anseio, a tentativa de lembrar e a limitação do conhecimento eram nada, e tudo isto era como o plástico em sua boca. Mas algumas vezes lhe acontecia de em uma hora qualquer percebendo que estava mastigando um plástico “morto” (resto ou não de um produto já usado) parar e imediatamente dizer:

- Oh não! Meu estômago!

...E logo em seguida emendar:

- Não faz mal, estava me impondo sobre a matéria sintética globa-alguma-coisa em que vivo: plástico!

...E acabava nostalgiando :

-Que saudades do meu velho avô que eu nunca vi!

...E depois criando a sua impossibilidade:

-Só ele, meu falecido avô, me explicaria sobre o sentido desta matéria sintética.

E por fim cuspia a matéria sintética.

     Esse pobre espírito contrariador tinha fé na irrelevância de tudo. Seus olhos captavam a dissipação das coisas transfigurada na ordem casual dos números em calendários.
    Quando criança, poderia sim ser justificável seu vício por mastigação de plásticos, principalmente embalagens de qualquer coisa, tampas de canetas, borrachas e os seus brinquedos, porque qualquer criança investiga e faz o diagnóstico do mundo pela experimentação das coisas que são neste mundo ingeríveis, não-ingeríveis e tornadas ingeríveis. Já nesta situação juvenil de vinte e poucos anos, esse hábito primeiramente despercebido e depois já aceitável por ele, era encarado pelos outros com total estranheza, o que acabou por lhe fazer afastar desses outros que eram comedores de coisas tachadamente “normais”.
      Ele viveu a vida toda nesta prática. Para ele não bastava só viver e comer coisas plásticas no sentido figurado, como bastava para as outras pessoas, mas sim literalmente mastigar e as vezes comer o plástico bruto. E Vejam que a criança que se tornou jovem inevitavelmente  ia para vida adulta até  o estado de  agora: um homem formado e bem sucedido, porque é o dono de várias fábricas herdadas do império que o avô um dia sonhara. Não só fábricas, mas distribuidoras e lojas da matéria sintética um dia visionada pelo profeta como a liga do mundo e a síntese da sua riqueza. O avô!... Um dia!...A liga do mundo!...
     Contrário a tudo e herdeiro dessa contrariação, ele explodia na execução de seu fetiche vicioso. Consumindo tudo quanto era cultura pop ele mastigava, passando os vários canais da sua televisão ele mastigava, participando da prostituição das pessoas paradas em cada “esquina” vendendo sexo ele mastigava, pensando na insistência desse modelo de reciclagem desgastante ele mastigava, pensando na dobra dos cabelos penteados de toda a sua família e nas suas maquiagens e na piscina e no fast-food ele mastigava, pensando na quantidade de sua memória ele mastigava, pensando no tamanho da sua idiotice ele mastigava, pensando em como não conseguia pedir o perdão ele mastigava, perturbado pelas suas várias vozes internas ele mastigava, perturbado em pensar ele mastigava.
     Ele estava melancolicamente feliz de ter se apaixonado pelo caos, de viver as tendências da sua geração e de estar passando da idade dos 60 e nunca ter nauseado por mastigar plástico. Por não nausear, se orgulhava, pois isso lhe afastava da possibilidade de um dia poder vomitar. Seu trabalho era o de todos os outros, o trabalho de só falar sobre náusea, o de talvez escrever sobre náusea, não! não! Ele não era metido a escritor, ele só monologava e habilmente mastigava. Se a memória não falhasse, como sempre lhe falha ele talvez lembrasse (e abriria sorrisos por verificar que não tinha sido incoerente em suas idéias) que quando jovem ele disse em voz alta num de seus monólogos:

-Estivemos todos um dia a falar de náusea nesta “nova” tendência de se apaixonar pelo caos

    E olhem: As tendências nunca mudam, nunca cansam, nunca morrem, são o plástico reciclável, são o império que vai do avô até a criança, tornada homem, tornada de novo avô. Mas (e há sempre um mas) o homem morre, e de tanto amar o plástico morre de gastrite do nível mais alto: úlcera ou câncer, pois o rombo no estômago é irreversível.
    E aqui agora, jaz o Comedor de Plásticos, herdeiro de um grande império que passará aos domínios de outro. Jaz vítima, em plena praça, dum Shopping Center rodeado de estabelecimentos de venda, muita venda, vendado e engasgado por seu sangue, molhado em lágrima, com dentes deformados, com mandíbula deslocada, em seu terno de trabalho, com as chaves do carro que deixara aberto em uma rua qualquer, com o buraco no estômago cultivado desde a infância e literalmente cheio dos mais variados tipos e insabores da liga do mundo cada vez mais moderno.

Obs: Se estivesse a falar num primeiro plano sobre a vida, num segundo estaria falando essencialmente sobre a morte. Como falo sobre morte num primeiro plano quero na verdade falar sobre vida num segundo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Enfim... Os Restos de uma Super-Nova são a nossa existência (em nove atos do meu dia transpostos ao horário regular de Manaus)

*04h30min(ATENÇÃO: grita o Dia)

Fastio e cenário
Onde padronizei
O ideal da Felicidade (!/?)

*08h00min (previsão do tempo)

Some um pouco o sol,
Nuvens ameaçam
se evaporar,
Mas sempre estão
neste lugar
Nunca chove!
só a ameaça rompe,
para dar o prazer
do comentário:
-Acho que vai chover!

*09h30min (ações metafísicas)

Olá!
Bom dia!
Como você está?
Até mais!
Vejam lá!
Aqueles são os papéis
e suas localidades
Lá se vão:
em costas,
em pastas,
em caixas,
Multi-Mudas
de abarcarem palavras,
vão em passos nossos
São dados
essenciais
para os argumentos
Multi-Mudos
Esse Horizonte
vai sempre
Ser inalcançável
como um Carrossel
velozmente rodado
Turvando as Imagens( 2.1)
Das tentativas de ver
Contra o Impulso
de quem quer ir
Contra

*10h00min (Ilusões reais das Ilusões)

Um Racho rachando
o céu azul (?/!)
sinais de infiltração( ?/!)
ou a casca não mais resistindo( ?/!)
Sai um Facho
faiscante de luz(?/!)
que cega(?/!)
ou completa a verdade inabalável(?/!)

*12h00min (posição de ataque que impõe a posição de defesa)

-Não quero ainda entrar!
me deixa um pouco mais lá fora!
Quero mais imagens! (2.2)
Quero o Colo
do Descanso
da Isenção
Ver como aquele marido
Em sua Natureza
Reprime suas mulher,(ainda)
e na Lógica Fálica
Reproduz,
como reprodutor
que é,
uma nota de Observação:
-Ela tem tudo! Porque eu coloco dentro de casa

*14h00min (depois do almoço, no susto de uma cochilada involuntária)

Acho que antes do almoço
me peguei pensando
que podia conquistar o mundo
e depois me toquei estar num domingo,
em impressões de ter vivido isso antes,
Semana passada
Talvez
Fosse tudo muito
(mais /mas) conflitante

*17h00min (na sarjeta me pronuncio sobre o noise e o nonsense)

Queria ter o domínio
total do outro,
(sobre um espelho)
e de suas reações
Transeunte na rua,
Figurante importante,
Questão de crânio:
porque sem necessidade vivo necessariamente vivo( ?/!)

*21h00min (fusão do problema e da solução)

Vivo!
Embuste
para fortes e fracos
que faz explodir
minha cabeça
Uma taça
de Dipirona Sódica
para mim!

*00h45min
))Amarguei essas palavras do alívio da dor de cabeça(deveras sentida) fingida, apenas para finitar papéis digitais((

Vou dormir
Mas vai levar
Pelo menos umas três horas
Até lá.
Até lá
quero ver se ouço
De novo
O Dia gritar


Obs: Imaginem aqui que o velho Bob Dylan irá executar a Música sobre “a resposta que paira ai pelo vento”(Blowin’ in the wind) em rotações drasticamente mais lentas.Ouçam!...sua gaita gritou aterrorizantemente. Um grito da velocidade do universo INFINITO.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Eu Coveiro, Ela Permeio da Terra!

E o ponto final ia se dando a ela
Olhos fundos que de sofridos e dilatados acastanharam-se
Um aperto constante no seu pequeno coração
Um aperto para esmagar

Ela verdadeiramente teve espasmos de dor:
Contorcidamente Convulsivava
Seria toda um não destino lutando
Gritando pelo coração que se lhe ia esmagando

Num dia apático para se ir acostumando a morrer
Rejeitou os corpos externos para sobreviver
E Oposta a escolha arranhava nos gritos que dava
O Sentimento nulo de nossa inutilidade
Nossa inutilidade, nossa fragilidade...
Em excesso de pêlo, do corpo, da matéria
De nada, oco e ido, explodido por dentro como um enfarte

Agora que finalmente expira, lhe volta a calma
Por instantes a alma do que foi
e nos olhos voltados ao azul dorme
posta leve, pesadamente leve
e só nós lamentamos, e só nós choramos
pois ao lado, indiferentes ao turbilhão racional humano,
se põem a lamber ou a saudar num não pensar
uma cadela e uma gata que ficam no plano doméstico da resistência

É o fim, é o barro, o barro aberto em buraco
que se fecha e encerra a saudação
e só deixa a Saudade!

“À gata Lilite (e tantas outras) morta envenenada na quarta-feira por UM anônimo frio ou por causa acidental”

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Obras de emancipação de nossos pisos (modelos impostos)


       ...Eu vou concretizar a minha vida...
       ...e depois cobrir de cerâmica...
      ...cimento, cimento, cimento... cerâmica!


                                      (a terra, a lama, o mato não são o ideal modelo contemporâneo)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Marco Zero (cúmulos acumulados na testa franzida)

e Ele fora ter um diálogo consigo
Instalado na aura das suas certezas
e Ele, segundo, era eu relevando

e Dissera que revoluções eram economicamente destruidoras
e Dissera que peões é que comandavam o jogo de xadrez
e Dissera ser ele mesmo um peão
Vamos então coloca-lo a frente dos chefes e ver

e Era tudo muito risonho e combinado
e A água ambiente me parecia corrente e viva
Pelo seu verde, pelo seu azul,
também pelo seu castanho
Mas tudo era de natureza morta
Constatada ao querer ser mergulhada

e Vagamente concordei com a vez passada:
Porque senão eu que sou todo vezes
perderia a dupla identidade de uma conversa de final de tarde
e Apenas Sins a me concordar, e Nãos a me apoiar as vontades!

e o Agora, sempre o agora:
Ao me por em conflito comigo mesmo cria o Marco Zero
e incita a raiva do eu de mim:
Ao ponto de me deslocar com violência
e de me ver a ser revolucionado

Mas entre as Horas,
só horas são permitidas
e suas passagens
e minhas viagens aos mundos,
Por apenas serem viagens!




   "depois de ter destruído a estabilidade
                                                            olho do topo da destruição
                                                                                                      o reinício"