quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Primeiros escritos de Ramon Oliveira (amadorismo humildemente pretencioso)

“A beleza nasce das dores do tédio,como um parto.O belo não necessariamente belo,mas representativo”


1 .Distante por dois pontos

Parte de minha ingenuidade vai morrendo,
e eu estou meio que de luto
Me trava a garganta essa angústia...
É o que sinto pelo que faço.

Acalenta-me chuva
Quebra as regras do comum
Molha a minha roupa de trabalho
Pra que eu perceba que a vida é instantânea,
que a vida é constante!

Os gritos de luta daqueles que me cercam já não me convencem
Pois em um muro de descrença eu brinco de me equilibrar!
Daquele corpo que se movimenta eu posso ver o automático
Já não importa o aperto se depois eu relaxar...

Transmuta, Aglutina e Desperça...
Essa é a dança urbana e eu não sei dançar
Eu pulo, mecho os pés, balanço minha cabeça
Mas eu não danço!

2. Imperceptível fluxo!

Eu andava com passos vagos
todo o movimento era a meu favor,
ao todo eram só ruídos, palavras quando concentrado
Eu falo da tarde, Eu falo do dia, no meio da noite com certa nostalgia!

Todo aquele ritual em busca do fazer...as cores, os rostos
Compreendo parcialmente no plano da matéria
Mas havia algo a mais, talvez a estratosfera!
É algo que me nos faz mover, como um botão de iniciar
A vida! Sei lá!!

Eu vou me levantar, pois sinto que já é hora!
Até, até!
Deixa eu mergulhar, voar, me esborrachar
E você fique sem entender, porque eu fiquei e já me misturo a dúvida



3 .Da mesma tribo!

Toda vida eu me vi,
E numa cadeia lógica e coerente,
Todos viveram e se viram
Mas com se viram?
Reflexos de quem?
De que partido foram?
De que encheram os buchos?
De muita coisa física?
De liberdade aprisionada?

Soldado é uma coisa do passado!
A submissão já não precisa desse slogan
A corrupção é tão comum como à ignorância
de quem tem os olhos pedrados!

Esse estilo é uma forma de sobreviver
Silhueta de um, silhueta de dois
Mas nunca me diga quem foi
Me pergunte o que desejo e eu lhe direi
Eu desejo nesse novo suspiro
A guerra e a paz,
O ser e o não ser,
O dormir e o acordar,
Com o gosto cotidiano de fumaça,
Desgraça, trapaça e tudo quanto for de farsa que nos pudermos amar!

4. Natural x Artificial( só me basta um olhar)

A semente atirada
A terra fertilizada
A constância do tempo
A força do vento
A mágica chuva
A água que cura
Nada de som, nada de caos...
Bem longe todos estão

O mostro de concreto e metal
O homem com coragem mortal
A lama na qual eu me banho
A crítica ao inferno que ganho

Voltando ao paraíso mais visível e real
Eu vejo a raiz que rasga nosso solo
Construção de mil cidades
Nada vale mais do que o nascer
Crescendo para todos os lados, sem pensar na ordem
Se torna gigante, me muda o semblante
Isto está ai para todo mundo
Com beleza, com leveza...
PARE!
Eis o mistério da fé!

"Eu tenho uma coleção de canetas cheias da mais pura inatividade
Eu tenho um violão sem cordas encostado na solidão
Eu tenho um corpo sem alma, que anda, come, fala e que não sente!
Essas são as visões do futuro e o futuro não para de chegar,
daqui a um minuto a um minuto atrás"

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O teatro de nossas vidas!(muito bem representado)


Imagine um ponto em outros pontos

Todos esses são pessoas um deles sou eu

Invariavelmente humano, teatralmente vivente

Se completando na incompletude

Meio morto movimentado

Encenando naturalmente o cotidiano

Tudo junto! , figurantes e a minha vida (protagonismo)

E olhando ao meu redor eu ouço e vejo e sinto

O menino de rua invisível

A comida e seus restos nos pratos

O dinheiro e seu poder nivelado

e mondrongos e montanhas desiguais( que o dinheiro nivelou)

E o sorriso frouxo do constante desgosto

e mil discursos em busca da razão, e todos caem no chão!

Aplausos, gratidão e encerramento

Brilhando sempre no horizonte...

Prometendo bons tempos

Criando todo um mundo de cores

É a luz do espetáculo que sempre volta

Que ao sumir dá lugar ao descanso

- Durmam todos e acordem mais uma vez

Quando for a hora de encenar tudo ao mesmo tempo!

Milhares de pontos e eu sou um deles!

Invariavelmente humano, teatralmente vivente

Vaias!...risos... bater de palmas e falta de atenção!